O Ministério do Trabalho e Emprego apresentou dados preliminares indicando que a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1 terão impactos desproporcionais entre os diferentes setores da economia brasileira. De acordo com o levantamento apresentado na Câmara dos Deputados, enquanto a média nacional de aumento na massa de rendimentos é estimada em 4,7%, o agronegócio pode enfrentar uma elevação de custos de até 8,6%. Setores como a construção civil e o comércio também figuram entre os mais afetados, enquanto a indústria de alimentos e o transporte aquaviário podem registrar os maiores impactos, atingindo 10,5% de aumento nos gastos operacionais.
Durante a audiência pública, representantes do setor produtivo e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária manifestaram preocupação com os efeitos bilionários nas cadeias de proteína e etanol, que podem somar custos adicionais de até 14 bilhões de reais devido à necessidade de novas contratações. Por outro lado, o ministro Luiz Marinho defendeu que a mudança pode gerar ganhos de eficiência e produtividade a longo prazo, afirmando que o governo está aberto ao diálogo para ajustar a proposta às realidades de cada segmento. O debate deve continuar nas próximas semanas com a participação do Ministério da Fazenda e de confederações nacionais, buscando equilibrar a modernização das relações de trabalho com a viabilidade econômica de empresas e cooperativas agroindustriais.